Eu tenho dentro de mim um sinalizador , que é quase um sensor.Ele me avisa quando os sentimentos estão sendo ameaçados , e isso , é uma das sensações que menos gosto de ver chegar. Eu não sei explicar como funciona, mas ele me guia até que eu veja alguma coisa muito ruim e que me leva a um estado de decepção e algum desamparo...
Eu não gosto de sentir isso , mas pode ser que seja necessário , dessa forma sou avisada de que alguma coisa que eu estou acreditando no momento não é tão real assim ou pelo menos não da forma que eu esperava que fosse. Seriam as relações liquidas?Serão os amores líquidos?Talvez...Pode ser...mas isso me gera uma decepção tamanha, tão insuportável que eu quase não consigo articular um pensamento e a primeira idéia mesmo é de um triste naufrágio de uma frágil jangada solta no mar..
A jangada
A jangada está no mar , está solta ao sabor dos ventos. Vai de um lado para o outro e já não importa se a localização ainda é possível ou a rota de volta é viável.Não é importante que a jangada volte a terra nem que se perca no infinito , nada importa agora , pois quando se perde o rumo da vida tanto faz a direita ou a esquerda.
Talvez o mar seja o lugar ideal de misturar a salgada e amarga lágrima .
Não é mais importante a terra firme, nada é sólido , tudo é volátil , tudo é instável , e agora no mar é a única forma de acariciar a alma. Nas águas de minha mãe , procuro o acolhimento contra aquilo que só o ser humano sabe provocar em contraponto com o melhor sentimento que oferecemos que é o amor , a traiçoeira decepção. Busco o colo , o calor , a forma de compreender porque tem de ser assim...posso buscar , mas não encontro ...é como se fosse um castigo querer amar..e ainda acreditar que é possível..Solidão.Eterna e profunda solidão .
A jangada joga forte , mas segue .
No mar nada fica estanque nem que se soltem as âncoras ,nem que se queira desesperadamente que tudo permaneça como antes , não é possível, as ondas alteram a posição de tudo e muitas vezes não era isso que esperávamos, assim como na vida.
Por vezes desejamos que as coisas se fixem , pelo menos por um período , para que se tenha um tempo de ser feliz e esquecer da liquida existência , efêmera e tantas vezes dissimulada.Vontade de retroceder o tempo . Parar o tempo como se pudésse súbitamente aportar numa ilha e fazer a névoa passar como se fosse apenas um mau tempo passageiro e de repente tudo voltasse ao ponto anterior. E nada de ruim fosse passível de acontecer , ou o sonho se desfazer como farelos de biju ao vento.
Ah meu coração dói , e olhar o horizonte é tudo que me sobra, e tentar achar um ponto , mas não há ponto nem porto muito menos seguro .A lágrima é tão liquida como se uma vertente deixasse escapar por ali, toda dor de um amor que queria viver e acreditava ter encontrado.
Eu preciso aprender que querer amar é uma risco forte de cometer um ato contra si ...( continua mais tarde..)